No domingo, 27 de setembro, foi dia de celebrar a memória, a trajetória e o legado de Amelinha Teles, jornalista, escritora, ativista e histórica defensora dos direitos humanos e da igualdade de gênero, que faleceu no último dia 15 de setembro, aos 81 anos, em São Paulo.
Representando o SINTETEL e a UGT, a secretária da Mulher de ambas
as entidades sindicais, Maria Edna Medeiros, participou das homenagens que
começaram pela manhã, com uma emocionante celebração realizada na Catedral da
Sé, em sufrágio da alma de Amelinha.
A escolha da Catedral da Sé para a celebração carregou um
significado histórico especial. Depois de ser libertada da prisão, na década de
1970, Amelinha encontrou na Arquidiocese de São Paulo, então liderada por Dom
Paulo Evaristo Arns, acolhimento e apoio para reorganizar sua vida e retomar
sua militância.
A celebração reuniu familiares, representantes dos
movimentos sociais, lideranças políticas e ativistas que reconheceram a
importância de sua trajetória. Em um momento de grande emoção, os presentes
encerraram a cerimônia cantando juntos a Oração de São Francisco, simbolizando
a paz, a solidariedade e a continuidade da luta iniciada por Amelinha.
Logo após a missa, Maria Edna participou do Ato de Mulheres
pela Democracia, realizado na Praça da Sé, que reuniu centenas de mulheres,
movimentos sociais e lideranças políticas em defesa da democracia, dos direitos
das mulheres e do enfrentamento à violência de gênero.
A participação de Maria Edna reforça o compromisso do
movimento sindical com a luta pela igualdade, pelo fim da violência contra as
mulheres e pela construção de uma sociedade em que os direitos humanos sejam
efetivamente respeitados.
O ato contou ainda com a presença de Ana Estela Haddad, Lu
Alckmin, esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin, e das então candidatas ao
Senado Simone Tebet e Marina Silva. Fernando Haddad, candidato ao governo de
São Paulo, participou da celebração na Catedral da Sé e, posteriormente,
discursou na Praça da Sé, destacando a importância da ampliação das políticas
públicas de proteção às mulheres e lembrando a contribuição histórica de
Amelinha.
Quem foi Amelinha Teles?
Natural de Contagem (MG), Amelinha foi uma das principais
vozes da resistência à ditadura militar e uma referência na luta pelos direitos
humanos e pelos direitos das mulheres. Durante os anos 1970, foi presa e
torturada nas dependências do DOI-Codi, sob o comando do coronel Ustra. Seus
filhos pequenos também foram obrigados a testemunhar as agressões sofridas pela
mãe.
Mesmo diante de uma das experiências mais dolorosas da
repressão política brasileira, Amelinha transformou a violência sofrida em luta
por justiça e democracia. Décadas depois, liderou uma ação judicial que
reconheceu Ustra como torturador e teve atuação fundamental nas Comissões da
Verdade, contribuindo para preservar a memória das vítimas da ditadura e
denunciar os crimes cometidos pelo Estado.
A trajetória de Amelinha também está ligada a importantes
conquistas do movimento de mulheres. Ela participou das lutas que marcaram a
Constituinte de 1988, foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo
e esteve na criação das Promotoras Legais Populares, iniciativa que há décadas
contribui para a formação e o fortalecimento de mulheres, especialmente nas
periferias, no enfrentamento à violência doméstica e na defesa de seus
direitos.
Amelinha Teles partiu, mas seu legado permanece vivo. Sua
história segue inspirando mulheres a ocupar espaços, defender seus direitos e
lutar por uma sociedade mais justa, democrática e livre de todas as formas de
violência.