No dia 5 de agosto, o SINTETEL e a FENATTEL participaram da reunião do setor de Telecom nas Américas (ICTS), realizada em Santo Domingo, na República Dominicana.
A ICTS (Information, Communications, Technology and Related Services) é o setor da UNI Global Union que representa mais de 3 milhões de trabalhadores dos segmentos de telecomunicações, tecnologia, serviços e jogos digitais em todo o mundo. No Brasil, entidades como o SINTETEL e FENATTEL integram os comitês internacionais da UNI, contribuindo para o debate sobre direitos trabalhistas, negociação coletiva e os impactos das novas tecnologias no mundo do trabalho.
A abertura do encontro contou com a participação de Daniel Rodríguez, presidente da UNI Americas ICTS; Marcio Monzane, secretário regional da UNI Américas; Héctor Daer, presidente da UNI Américas; Christy Hoffman, secretária-geral da UNI Global Union; Luis Coman, secretário-geral do Sitratel; e Benjamin Parton, chefe da UNI Global ICTS.
No primeiro módulo, os debates foram voltados aos impactos da Inteligência Artificial (IA) no setor de telecomunicações. Entre os temas discutidos estiveram a aplicação da IA em novos modelos de negócios, seu avanço nos call centers, a necessidade de qualificação profissional e o desenvolvimento de habilidades digitais para os trabalhadores.
As entidades sindicais defenderam que é fundamental acompanhar a evolução tecnológica, compreendendo seus impactos sobre o emprego e as condições de trabalho, principalmente na saúde física e mental dos trabalhadores. Também reforçaram a importância de construir uma visão comum entre sindicatos e empresas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades trazidas pela inovação, além de compartilhar experiências de negociação coletiva e iniciativas legislativas relacionadas ao uso da Inteligência Artificial.
O segundo módulo abordou a preparação dos sindicatos diante da chegada de novos atores ao setor de telecomunicações. As discussões destacaram os desafios impostos pelos novos modelos empresariais, a necessidade de uma transição justa e a construção de ações conjuntas para combater a precarização das relações de trabalho. Também foi debatida a importância do diálogo social nas empresas multinacionais e a negociação de acordo Global, como instrumento para garantir o respeito aos direitos dos trabalhadores.
Os participantes alertaram que a entrada de novos grupos econômicos e as mudanças na estrutura de empresas tradicionais vêm transformando o setor e ampliando modelos de contratação cada vez mais precários, como trabalhador PJ (pessoas jurídicas) e a mais recente, foi a implantação de plataforma, que paga somente o que foi produzido, sem nenhum direito a mais.
Diante desse cenário, os sindicatos reafirmaram seu papel como legítimos representantes dos trabalhadores e que não vão permitir essa forma de trabalho no setor de Telecom.
O SINTETEL relatou as dificuldades com a empresa Claro, principalmente no tema periculosidade, que é um direito legal que a empresa não está cumprindo no Brasil. Não sendo possível resolver na negociação, o caminho será a Justiça e a mobilização dos trabalhadores.
A delegação brasileira foi composta pelo presidente do SINTETEL, Gilberto Dourado; pelo presidente da FENATTEL, José Roberto Silva; pela Vice-Presidenta da FENATTEL, Cristiane do Nascimento, pelo presidente do Sinttel-SC, Rogério Soares; e pela diretora do Sinttel-SC, Gabriela Cordeiro.