O Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres, promoveu nesta quarta-feira (3), em Brasília, o Seminário Nacional sobre Violência Política contra as Mulheres no Brasil: diálogos para o enfrentamento. O encontro, realizado de forma híbrida no auditório do Centro Universitário UDF, reuniu autoridades, especialistas e representantes de movimentos sociais entre 8h e 17h, com o objetivo de fortalecer estratégias de prevenção e enfrentar a violência de gênero no país.
Ao longo do dia, o seminário destacou a necessidade de promover um ambiente democrático seguro, no qual mulheres possam exercer seus direitos políticos e sociais livres de todas as formas de violência. Os debates expuseram como o machismo estrutural e a misoginia seguem sendo motores do ódio que, em seu estágio mais extremo, resulta no feminicídio. Dados apresentados durante o evento reforçaram o cenário alarmante de violência contra mulheres e meninas, especialmente exposto durante os 21 Dias de Ativismo.
Abertura com Ministra Carmen Lúcia
Na mesa de abertura, a Ministra Carmen Lúcia reforçou o papel essencial das mulheres na construção democrática do país. Em sua fala, relembrou a frase que marcou o movimento de mulheres durante a Primeira Guerra Mundial — “Nossos filhos querem pão e nossos maridos querem paz” — acrescentando que, além disso, “nós, mulheres, queremos ser livres”. A ministra reiterou seu compromisso em apoiar parlamentares, juristas e movimentos sociais na defesa dos direitos das mulheres e da democracia.
Depoimentos e denúncias sobre o machismo estrutural
Parlamentares, lideranças sociais e especialistas que compuseram as mesas temáticas trouxeram relatos contundentes sobre a violência política de gênero, destacando episódios de assédio, perseguição e ataques virtuais que se intensificam especialmente contra mulheres em posições de poder. Segundo as participantes, comportamentos naturalizados — como piadas, estereótipos, desigualdade salarial e a desvalorização do trabalho feminino — compõem uma base cultural que sustenta a escalada da violência.
Também houve críticas ao ambiente digital, que, segundo as painelistas, tem se tornado terreno fértil para manifestações de ódio, ameaças e perseguições, muitas vezes feitas sob anonimato e sem responsabilização adequada.
A urgência de políticas públicas e mudanças culturais
O seminário reforçou a necessidade de políticas públicas capazes de enfrentar a misoginia e o machismo em todas as esferas sociais. Entre as propostas discutidas estão o fortalecimento de leis que punam agressores, a criação de bancos de dados sobre homens com histórico de violência doméstica e a ampliação de ações educativas.
As participantes enfatizaram que combater o machismo não se trata de disputa ideológica, mas de desconstruir um sistema de crenças que hierarquiza os gêneros e coloca o feminino em posição de subordinação. “O machismo mata, a misoginia dilacera”, sintetizaram.
Compromissos e continuidade da luta
A Secretaria Nacional de Mulheres da UGT destacou durante o evento sua atuação na defesa da representação feminina e na ampliação de espaços de fala dentro das estruturas sindicais e sociais. A entidade reforçou seu compromisso com a construção de políticas que garantam dignidade, respeito e igualdade.
O seminário terminou com o apelo para que a sociedade como um todo — mulheres, homens e jovens — se comprometa a romper o ciclo de violência e a reduzir os índices de misoginia, violência política de gênero e feminicídio.
Mais informações sobre o seminário estão disponíveis no website do Ministério das Mulheres.